ASSEMBLEIA DE DEUS NO BRASIL

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O QUE HÁ PARA VER NUM DESERTO?




TEXTO: Êxodo 3. 1
"Moisés pastoreava o rebanho de seu sogro Jetro, que era sacerdote de Midiã. Um dia levou o rebanho para o outro lado do deserto e chegou a Horebe, o monte de Deus." (Versão NVI).

INTRODUÇÃO

Se esbarrarmos apenas nesse texto de Êxodo 3.1, iremos nos deparar com um homem barbudo, aparentemente de feições rudes, com um cajado na mão e um grande rebanho de ovelhas pertencentes a seu sogro. Seu nome era Moisés. Moisés, como todas as pessoas, tinha um passado que alí, naquele deserto parecia está longínquo na proporção que o tempo passava. E, no relato de Estevão (Atos 7.30) esse senhor já havia estacionado naquele deserto durante 40 anos!

Talvez ele pensasse que sua vida se resumiria naquela rotina, deslocando ovelhas em busca de lugares menos áridos e de pastagens. Quando a vida se torna uma rotina nós tendemos a limitar o campo de nossa visão. Isso pode gerar dentro de nós um sentimento de autoanulação, de impotência, de coisas que nos impedem de acessar potenciais que o tempo sublimou. Pois, aquele sujeito barbudo havia não era qualquer um: "Moisés foi educado em toda a sabedoria dos egípcios e veio a ser poderoso em palavras e obras" (Atos 7:22); ele um dia foi alguém que estava cotado para ser príncipe do Egito! (Confira: Hebreus 11.23-24).

A vida é assim. Somos hábeis avaliadores e julgadores de pessoas pelo que nos mostram as aparências. Jesus já advertia seus discípulos a esse respeito dizendo: "Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos" (João 7:24) .

Moisés, num dia desses qualquer, deslocou o rebanho para a parte mais ocidental do deserto, para o outro lado, defronte ao Monte Horebe, no Sinal, naquela cadeia de montanhas cujo pico mais alto chegava a 2 461,54 m. Foi nesse monte que Moisés teve uma surpresa que mudou radicalmente sua vida.

I. O que há para ver num deserto?

Jesus ao testemunhar a respeito de João falou: "O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?" (Mateus 11:7). Esse ilustração serve para mostrar que o deserto não é lugar para ver coisas interessantes.

Moisés sabia disso claramente, afinal, 40 anos são uma eternidade para quem todos os dias se punha a fazer a mesma coisa. De dia, um calor extasiante, um suor sufocante, uma poeira constante. Um som estranho provocado pelos galhos secos afastados pelo bafo quente isento de água. Isso é deserto! De noite, um frio gélido e seco.

No deserto não há muito para se ver além de extensões infindáveis de terras arenosas, de vegetação pobre e minguada, sem vida.

Desertos podem servir de ilustração em relação a nossa própria vida. Ou mesmo que se prestem a servir de exemplo para uma situação nacional, local, uma realidade difícil de um povo, uma particularidade emocional, ou escarces de condições, não importa se é deserto, está ligado a vida dura, pouco produtiva, sem expressão, sem colorido, mas o Deus que nós servimos é poderoso para transformar realidades marcadas pela esterilidade em mananciais de água! "O deserto e a terra ressequida se regozijarão; o ermo exultará e florescerá como a tulipa" (Isaías 35.1); "Águas irromperão no ermo e riachos no deserto" (Isaías 35.6); "Abrirei rios nas colinas estéreis, e fontes nos vales. Transformarei o deserto num lago, e o chão ressequido em mananciais." (Isaías 41.18); "Àquele que conduziu seu povo pelo deserto, O seu amor dura para sempre!" (Salmos 136:16).

II. É no deserto que coisas pequenas se tornam grandes!

Algo chamou a atenção de Moisés. Ele poderia dizer que já havia visto de tudo ao longo desses 40 anos naquele ambiente, mas o que aquele dia tinha reservado para ele era simplesmente inexplicável! "Ali o Anjo do Senhor lhe apareceu numa chama de fogo que saía do meio de uma sarça. Moisés viu que, embora a sarça estivesse em chamas, esta não era consumida pelo fogo." (Êxodo 3:2).

Primeiro, Moisés se vê contrariado diante de tudo que aprendeu com a ciência dos egípcios, e olha que não era coisa pouca, porque além de ter sido o Egito centro de saberes universais, lugar onde primeiro se desenvolveram técnicas na área da astronomia, matemática, geometria, medicina, ele é descrito na Bíblia como alguém que "havia se tornado poderoso em palavras e obras!".

Ele viu, sem embaraço algum, o Anjo do Senhor falando diretamente com ele, numa chama de fogo que saía do meio de uma sarça! A sarça, "Seneh" em hebraico para designar um arbusto de regiões secas, de galhos resistentes, porém, pequeno, de feições insignificantes! Como o conjunto de tudo aquilo que se tem num deserto que não há nada para ver.

2.1 O Deus Todo-Poderoso transforma realidades

Aonde está a presença de Deus, mesmo nos lugares secos e vazios, a glória de Deus os transforma na maior e melhor novidade de todos os tempos! A disposição físico-mental que antes só enxergava deserto, começa, com a presença de Deus, a ver novos prismas, novas perspectivas, e a vida ganhando alegria e brilho. "Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! (2 Coríntios 5:17). "Ele os guiará às fontes de água viva." (Apocalipse 7.17).

2.2 A presença de Deus torna as coisas insignificantes em especiais

A sarça que era capaz de passar despercebida por qualquer um que passasse por aquele mesmo local, de repente foi o centro de total atenção de Moisés, pois a presença de Deus transformou algo insignificante num receptáculo do poder de Deus na forma de um fogo abrasador, mas que não consumia! E a voz que saia daquele fogo bradava de maneira inconfundível, chamando pelo seu nome: "Moisés, Moisés! " (Êxodo 3:4). Era como que dizendo, tu estás pensando que vais terminar a vida nessa mesmice de sempre! Eu tenho planos sobremodo excelentes para tua vida! Ao que lhe respondeu: "Eis-me aqui" (Êxodo 3:4).

A partir desse encontro, Moisés começou a se apropriar do conhecimento de sua missão, ele que viria a ser o guia do povo de Deus, o legislador de Israel, profeta e juiz!

No deserto da vida, Moisés foi rejeitado por muitos de seus irmãos, perseguido, ignorado, esquecido. Mas Deus transformou radicalmente a vida dele, dizendo: "Dou-lhe a minha autoridade perante o faraó..." (Êxodo 7.1). Mesmo depois de sua partida, podia de ouvir falar a seu respeito: "Em Israel nunca mais se levantou profeta como Moisés, a quem o Senhor conheceu face a face. Pois ninguém jamais mostrou tamanho poder como Moisés nem executou os feitos temíveis que Moisés realizou aos olhos de todo o Israel." (Deuteronômio 34:10,12).

Conclusão

Quando estamos no deserto parece que, de fato, não há nada para ver. Tudo parece está dominado pelo tédio, pela rotina. E nós nos sentimos desmotivados, pouco producentes, apáticos até. Mas quando entramos em sintonia com a glória de Deus, coisas insignificantes ganham brilho, a vida se enche de cores e prazer, e nós começamos a ver sob novas perspectivas. Nesse momento, não temos outra saída a não ser adorarmos ao Senhor que encheu nossa boca de rizo e o nosso coração de contentamento!

domingo, 13 de novembro de 2011

ARREPENDIMENTO E FÉ

Por Daniel B. Pecota

O arrependimento e a fé são os dois elementos essenciais da conversão. Envolvem uma “virada contra” (o arrependimento) e uma “virada para” (a fé). As palavras primárias, no Antigo Testamento, para expressar a ideia de arrependimento são shuv (“virar para trás”, “voltar”) e nicham (“arrepender-se”, “consolar”). Shuv ocorre mais de cem vezes no sentido teológico, seja quanto ao desviar-se de Deus (1 Sm 15.11; Jr 3.19), seja no sentido de voltar para Deus (Jr 3.7; Os 6.1). A pessoa também pode desviar-se do bem (Ez 18.24,26) ou desviar-se do mal (Is 59.20; 3.19), isto é, arrepender-se. O verbo nicham tem um aspecto emocional que não fica evidente em shuv; mas ambas palavras transmitem a ideia do arrependimento.

O Novo Testamento emprega epistrephô no sentido de “voltar-se” para Deus (At 15.19); 2 Co 3.16) e metanoeô/metanoia para a ideia de “arrependimento” (At 2.38; 17.30; 20.21; Rm 2.4). Utiliza-se de metanoeô para expressar o significado de shuv, que indica uma ênfase à mente e à vontade. Mas também é certo que metanoia, no Novo Testamento, é mais que uma mudança intelectual. Ressalta o fato de uma reviravolta da pessoa inteira, que passa a operar uma mudança fundamental de atitudes básicas.

Embora o arrependimento por si só não possa nos salvar, é impossível ler o Novo Testamento sem tomar consciência da ênfase deste sobre aquele. Deus “anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17.30). A mensagem inicial de João Batista (Mt 3.2), de Jesus (Mt 4.17) e dos apóstolos (At 2.38) era “Arrependei-vos!” Todos devem arrepender-se, porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23).

Embora o arrependimento envolva as emoções e o intelecto, é a vontade que está profundamente envolvida. Quanto a isso, basta citarmos como exemplos os dois Herodes. O evangelho de Marcos apresenta o enigma de Herodes Antipas, um déspota imoral que encarcerou João Batista por ter este denunciado o casamento com a esposa de seu irmão Filipe, mas ao mesmo tempo “Herodes temia a João, sabendo que era varão justo e santo” (Mc 6.20). Segundo parece, Herodes acreditava em algum tipo de ressurreição (6.16). Portanto, possuía algum entendimento teológico. Dificilmente poderíamos imaginar que João Batista não lhe tenha proporcionado uma oportunidade de se arrepender.

Paulo confrontou Herodes Agripa II com a própria crença do rei nas declarações proféticas a respeito do Messias, mas o rei não quis ser persuadido a tornar-se cristão (At 26.28). Não quis arrepender-se, embora não negasse a veracidade do que Paulo lhe dizia a respeito de Cristo. Todos nós precisamos dizer, assim como o filho pródigo: “Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai” (Lc 15.18). A conversão subentende “voltar-se contra” o pecado, mas igualmente “voltar-se para” Deus. Embora não devamos sugerir uma dicotomia absoluta entre duas ações (pois só quem confia em Deus dá o passo do arrependimento), não está fora de propósito uma distinção. Quando cremos em Deus e confiamos totalmente nEle, voltamo-nos para Ele.
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Fonte: sitio da CPAD Escola Dominical: Texto extraído da obra: “Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal”, editada pela CPAD.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

LIVRO DO PROFETA NEEMIAS




NEEMIAS


I. O Texto
(Neemias 1:1) - AS palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sucedeu no mês de Quislev (dezembro), no ano vigésimo(decorridos vinte anos do reinado de Artaxexes I), estando eu em Susã, a fortaleza, (Neemias 1:2) - Que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam, e que restaram do cativeiro, e acerca de Jerusalém. (Neemias 1:3) - E disseram-me: Os restantes, que ficaram do cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo; e o muro de Jerusalém fendido e as suas portas queimadas a fogo.

II. O Contexto
De acordo com o Comentário Moody (2007), Artaxerxes I, o qual Neemias serviu como copeiro, era filho de Assuero (Xerxes), que tomou Ester por sua rainha. A Festa do Purim (Et. 9:20-32) foi instituída em 8 de março de 473 A.C., apenas oito anos antes de Artaxerxes I tornar-se rei.

O Livro de Neemias engloba um período de pelo menos vinte anos, desde dezembro de 445 A.C. até cerca de 425 A.C., quando Neemias retornou da Babilônia para eliminar em Jerusalém e na província os diversos males infiltrados durante sua ausência desde 432 A.C.

III. LIÇÕES PARA UMA LIDERANÇA CRISTÃ

As Lições Bíblicas CPAD deste trimestre (4º Trimestre de 2011) abordam com muita propriedade o tema Neemias - Integridade e coragem em tempos de crise, com o comentário do Pastor Elinaldo Renovato.

Primeiramente, urge conceituar a crise, não como algo destrutivo, mas sim, como uma oportunidade de superação. A crise faz parte da psicodinâmica da vida. E se existe a percepção da crise, significa que estou vivo e gozando das faculdades mentais que me habilitam a buscar possíveis saídas. Quando a crise mostra sua face significa que o momento decisivo chegou e que é hora de agir. À propósito Sander (1992) destaca algo extremamente oportuno nesta discussão:

"A conjuntura crítica não encontrou senão atores de segunda categoria no palco político, e o momento decisivo foi negligenciado porque os corajosos eram deficientes em poder, e os poderosos deficientes em sagacidade, coragem e resolução."[1] Em síntese, vivemos num mundo em crise crescente para se confirmar a palavra de Deus e nunca foi tão urgente a necessidades de líderes que não deixem o momento decisivo passar. Pelo jeito a Igreja não tem tem escapado a esta escassez de liderança competente.

As trágicas notícias sobre o estado de miséria em que Jerusalém estava mergulhada serviram para situar Neemias em relação ao grande problema que deveria ser enfrentado (Neemias 1.1-11). Ele resolveu abraçar essa questão começando pela oração. Uma oração sincera, de confissão, de entrega de propósitos. No capítulo 2.1-8, o pedido de Neemias é atendido prontamente pelo rei Artaxerxes e autorizado a subir a Jerusalém. Tem-se início, então, a contagem do tempo, previsto pelo profeta Daniel (Dn. 9.24-27) a respeito das setenta semanas, conforme nos lembra Moody (2002)[2]. Deus estava agindo por Israel no silêncio, e a Neemias incumbia a missão de dar o passo inicial. No livro do profeta Zacarias, cap. 1.14 , Deus diz: "Com grande empenho estou zelando por Jerusalém".

CARACTERÍSTICAS DA LIDERANÇA DE NEEMIAS

Neemias é o tipo de líder com propósito. No exército, comenta-se que em situação de guerra, os soldados esperam pela ordem do comandante. Por mais difícil que seja a situação, se a tropa deve se mover para a direita ou esquerda, manter-se na retaguarda ou avançar. Mas uma ordem deve ser dada, sem hesitar! Sem temer!

Ele não pensou duas vezes ao receber autorização do rei para avaliar a real situação (Neemias 2.9-20). Ao fazer o relatório do que tinha visto, seu cérebro conflituava com um turbilhão de idéias revolucionárias para mudar a situação. Ele começou, a partir de então, a estabelecer seus propósitos (Pv. 16.3).

Neemias é o tipo de líder organizacional. Uma pessoa que pretende fazer uma grande obra, desta forma, mudar situações, sair ou fazer sair de uma crise é preciso ter um senso organizacional. Jesus é o nosso maior exemplo (Lc. 14.28). O Mestre nos ensinou que devemos usar nossa razão para avaliar situações. Neemias se empenhou em ir in locu diagnosticar o tamanho do problema. O diagnóstico é o primeiro passo para se saber quais serão os passos seguintes a serem ordenados para se atingir um fim.

Neemias é o tipo de líder mobilizador. Um líder é sempre um formador de líderes. Um líder sozinho não é líder. Na Igreja há sempre figuras centralizadoras, que temem ser "deixadas" para trás por qualquer que apresente novas idéias. São figuras trancadas dentro de si, num mundo interior criadas para manter sua hegemonia.

A análise do livro de Neemias nos ensina que, como crentes devemos compreender o valor das pessoas, decifrá-las, sentir as sinergias. Salomão souber tirar ótimas lições desse aprendizado. Ele conquistava as pessoas mais difíceis, trazendo-as para somar. Resultado: tornou-se o homem mais rico do mundo e a grandeza do seu palácio ainda hoje é estudada. O rei de Tiro, antigo rival de seu pai, tornou-se o maior fornecedor da melhor madeira, os cedros do Líbano!

Neemias mobilizou as pessoas mais importantes que restaram em Jerusalém, começando com o sumo sacerdote, este mobilizou sua turma sacerdotal, líderes de tribos foram mobilizadas e assim, a obra começou de forma sistematizada, coordenada e eficiente.




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[1] Oswald Sander. Paul the Leader. Deerfield, Florida-EUA, 1992.
[2] Moody Bible Institute of Chicago, 2002.

sábado, 3 de setembro de 2011

A ATUAÇÃO SOCIAL DA IGREJA

TEXTO ÁUREO: "[...] Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer..." Mt. 25.34-36.

VERDADE PRÁTICA: A Bíblia recomenda que sejamos zelosos também no auxílio aos carentes e necessitados, pois a mensagem do Evangelho contempla o ser humano integralmente.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Isaías 58.6-8, 10, 11; Tiago 2.14-17.

COMENTÁRIO ADICIONAL

Quando me deparo com temas como este A ATUAÇÃO SOCIAL DA IGREJA é fácil perceber o quanto estamos atrasados numa das principais doutrinas da Igreja, o amparo humanitário. Jesus deixou claro que há uma herança a ser reclamada por quem de direito e essa herança está garantida desde a fundação do mundo. Os benditos do Pai terão acesso à herança. E quem são os tais benditos do Pai? Aqueles que praticaram a fé presentificada nas obras: "Tive fome e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me".

O crente não pode viver apenas e exclusivamente reduzido, limitado a quatro paredes dos templos, num ritual cíclico, rotineiro, sempre a mesma coisa. É preciso transpor os limites do templo e na medida em que saímos para evangelizar, praticamos a obra social, não no prisma dos departamentos de marketing das empresas que vêem a responsabilidade social como uma forma de se mostrar boazinha perante os olhos da sociedade. Mas como um compromisso legado pelo próprio Jesus!

Atualmente, para quem não sabe ainda, existe uma abertura governamental, dada as novas configurações do Código Civil, que contempla as igrejas que lidam com ações de relevância social, e eu não estou me referindo a ações do tipo corte de cabelo de graça ou coisa parecida. Eu estou falando de capacidade de mobilização. As competências que estão dentro da igreja, advogados, psicólogos, odontólogos, educadores infantis, médicos nas mais diversas especialidades, enfim, constituem-se no material eficaz do projeto social, capaz de fazer efeito duradouro no âmbito das comunidades, levando capacitação profissional, saúde preventiva, cursos profissionalizantes e muito mais, o evangelho pleno!

Mas nós, na grande maioria sequer, sabemos o potencial que temos. Nos bancos de nossas igrejas estão sentados irmãos e irmães que mal sabem cantar ou pregar para uma platéia como fazem a turma do "ré-pré-pré", mas têm doutorado em alguma especialidade, desenvolvem projetos importantes em várias áreas, tem o network com autoridades da administração pública que podem abrir portas para uso de equipamentos e recursos nesses projetos. Mas não sabemos enxergar essas potencialidades!

Não temos capacidade mobilizadora! Nas nossas festas não temos o hábito de convidar pessoalmente a médica da Unidade de Saúde do Bairro, os membros do PSF, o Agente de Saúde que visitam nossas casas, o presidente da Associação de Moradores do Bairro, por aí já dá para perceber quão difícil se torna até para começar qualquer trabalho na própria comunidade. A igreja não está sendo vista como deveria uma agência do Céu, cujo Dono dessa agência se preocupa não somente com o nosso bem-estar espiritual, mas também com todos os aspectos que fazem do Homem um ser integral.



sábado, 27 de agosto de 2011

PRESERVANDO A IDENTIDADE DA IGREJA


Lição 09

"Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo." (2 Coríntios 11.3)

Para falar sobre a preservação da identidade da Igreja, o comentarista da Lição escolheu sabiamente o texto de 2 Coríntios 11.3 reavivando o que aconteceu no Eden e que tal fato deve servir como advertência para nós hoje.

Preservar a identidade, sem arrodeios, significa manter as características originais que definem a Igreja e pelas quais muitos homens e mulheres de Deus deram sua própria vida. Não podemos assumir, é claro, uma posição extremada a ponto de achar que temos que viver alheios as transformações sociais e tecnológicas do mundo, mas, como Igreja, não podemos absorver os valores mundanos como se isso fosse uma evolução do pensamento cristão. É por essa razão que a figura da serpente assume importancia nessa análise.

Primeiro, porque a serpente atua de forma sutil. Hábil, penetrante, envolvente, dissimulada, ela não ataca sem conhecer exatamente o terreno, sem ter estudado calma e meticulosamente a situação. Ela é astuta. Tem aparencia de piedade, negando, contudo, sua eficácia. Quando a Igreja começa a se envolver em coisas que não seja a pregação genuína da palavra de Deus e a prática do evangelho ela pode está na mira da serpente, quando não, já inoculado o veneno pelas suas artérias. O veneno da serpente, aqui representada pelo Diabo, é o pecado que se dilui produzindo vários efeitos entorpecedores: ciúmes, inveja, difamação, sexo fora do casamento, adultério, comércio da palavra de Deus, briga por cargos, escândalos etc.

Segundo, porque a serpente quando atua, sempre deixa marcas. No livro dos Provérbios 30.18-19, o autor diz não saber o caminho da serpente no rocha. Ao passo que, por similitude, o caminho da serpente na areia se sabe pelas marcas deixadas. Assim, a Igreja, quando firmada na Rocha que é Cristo, com seus membros alicerçados na palavra da fé, a serpente não tem como deixar marcas. A advertência do texto de 2 Coríntios 11.3 é, certamente, sobre a necessidade de vigilância constante para que o centro de nossa consciência, que comanda nossos sentidos, não venha de alguma forma ser corrompidos, isto é, sofrer o entorpecimento do veneno da serpente, e que isto, nos apartemos da simplicidade que há em Cristo.

Que Deus nos ajude a preservarmos essa identidade. Boa aula!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

NÃO OLHES PARA TRÁS E NÃO PARES


TEXTOS: Gênesis 19: 17/Lc 17.32.

1) "E aconteceu que, tirando-os fora, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti, e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte, para que não pereças."

2) "Lembrai-vos da mulher de Ló."

INTRODUÇÃO:

Existe uma verdade a qual não podemos fugir, é que Deus tem um plano específico para cada um de nós, e não importa o que aconteça não podemos negligenciar. O ideal de Deus é que rompamos com todas as amarras que nos prendem e nos limitam a visão, e apeguemo-nos a Ele como a Rocha da nossa salvação. Para isto, sabiamente Deus nos deixou exemplos na sua palavra. "Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança" (Rm 15.4).

I. UMA MULHER PRESA AO MATERIALISMO E AO MODELO DE VIDA DE SODOMA E GOMORRA

Ló, embora tenha um caráter fraco e patético, não comparável ao de Abraão, é descrito como justo: "E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras injustas) 2 Pedro 2.7-8; Contudo, não fora fiel o bastante para influenciar aquela sociedade corrompida.

A esposa de Ló, não deixa de apresentar-se como alguém presa aos valores mundanos. O brilho ilusório, as práticas libertinas e execráveis daquela gente pareciam exercer algum tipo de influência sobre ela, a ponto de dominar aos poucos e por completo, seus sentimentos.

II. QUEM OLHA PARA TRÁS:

a) pode perder o ritmo da caminhada. "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, - Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Filipenses 3:13-14);

b) pode ter a falsa impressão de perda. A destruição iminente requereu passos apressados daquela família. Não havia tempo para arrumar as malas, nem fazer outro coisa senão fugir do fogo da destruição! O relato dos grandes desastres mostra que o extinto de escape sempre fala mais alto, e em fração de segundos dispara um gatilho no nosso cérebro que nos impele a tomar a decisão certa: salvar-se da destruição. Mas a esposa de Ló, demonstrando-se presa demais ao povo daquela cidade, presa a sentimentos contrários à palavra de Deus, optou por desobedecer.

III. A SENTENÇA DE DEUS NÃO SE REVOGA SOB DESOBEDIENCIA

Deus havia sido claro que eles não deveriam olhar para trás. Houve exemplos da bíblia que a sentença de Deus foi revogada para beneficiar o justo, o humilhado, o penitente que clamou misericórdia. Mas, a esposa de Ló abusando da benevolência de Deus, por desobediência volveu-se para trás.

Um pouco distante dalí, estava Abraão contemplando uma grande coluna de nuvem negra que o fogo e o enxofre poderam produzir da destruição de Sodoma e Gomorra. Tempos mais tarde, o lugar se tornou na maior concentração de sal do planeta. Via-se uma grande cratera exatamente onde se situavam as cidades da destruição! A violência do fogo destruidor fez com que o lugar viesse a ser a depressão mais expressa da Terra. Um lugar incapaz de produzir vida. Mesmo a bactéria mais resistente do mundo não pode sobreviver naquilo que veio a ser o Mar Morto. Esse fato foi tão impactante que, Jesus ao falar sobre o fim do mundo, recomendou: "lembrai-vos da mulher de Ló!"

A esposa de Ló, olhou para trás, e lá, naquela planície ficou convertida em estátua de sal. Enquanto isso, do alto do Hebron, Abraão assistia um misto de fogo, enxofre e fumaça negra destruir como um grande lençol as campinas de Sodoma e Gomorra, e toda a vida existente naquele lugar. Mas a estátua de sal, ficou parada em silêncio egoísta, como uma advertência severa.

CONCLUSÃO

Esta mensagem, depois de tanto tempo, ainda ecoa nos dias de hoje, clamando para que não olhemos para trás e não paremos, por que isso pode custar nossa própria vida. "PORTANTO nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta" (Hb.12.1).

sábado, 23 de julho de 2011

O MELHOR DE DEUS PARA O MUNDO

TEXTO: João 3.16: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".

INTRODUÇÃO

O mundo dos homens, atolado no lamaçal do pecado que distancia-o da presença de Deus recebe do próprio criador o maior de todos os presentes. Até hoje tão incompreensível e tão profundo que traduz a natureza de Deus naquilo que se constitui sua essencia: Deus é essencialmente amor.

I. UMA DÍVIDA QUE NÃO PODÍAMOS PAGAR

A viúva, cujo marido havia morrido, não podendo pagar a dívida herdada, estava na mira dos credores que viriam levar seus filhos como pagamento (2 Reis 4.1); Zaquel, reconhecendo a possbilidade de enriquecimento ilícito, declarou a Jesus que "restituiria quatro vezes mais" (Lc 19.8), porém, o pecado é inegociável, não há dinheiro ou posição social que possa influir. Em salmos 49.8, lê-se que "o resgate da sua alma é caríssima, e os recursos cessariam".

A violação da lei de Deus pelo Homem gerou essa dívida. O pecado que entrou no mundo por causa da desobediência teve como resultado a exigência de um pagamento a altura do dano. Mas que oferta seria feita? E quem estaria disponível e habilitado a cumprir todas as exigências da dívida? Em Romanos 3.10 está escrito: "Não há um justo, nenhum sequer"; "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23).

II. UMA VIDA PELA DÍVIDA UNIVERSAL

Um sacrifício expiatório era a saída. Mas para cumprir as exigências, a vítima ou o cordeiro teria que ser imaculado, puro, sem pecado. O profeta Isaías previu quem seria o cordeiro 600 anos antes de sua aparição: "Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca" (Isaías 53.5-7). Tempos mais tarde, no levantar da poeira do deserto, ás margens do Rio Jordão, João o reconheceu: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1.29).

III. ATRIBUTOS DO AMOR DE DEUS

O amor de Deus envolveu, antes de tudo, um ato. Um ato de doação.

CONCLUSÃO