ASSEMBLEIA DE DEUS NO BRASIL

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

VOCÊ NÃO É TEÓLOGO DA PROSPERIDADE?

"Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim." (João 5.39).

O movimento conhecido como Teologia da Prosperidade é uma heresia. Heresia (do latim haerĕsis, por sua vez do grego αἵρεσις, "escolha" ou "opção") é a doutrina ou linha de pensamento contrária ou diferente de um credo ou sistema de crenças tidos como certos e/ou verdadeiros. Talvez Essek William Kenyon (nascido em 24 de abril de 1867, falecido em 19 de março de 1948) não tivesse ideia de quantos males traria à visão tradicional e por isso tenha lançado as bases do que hoje se identifica como confissão positiva.

A confissão positiva, como o próprio nome já o diz, consiste em pôr a fé para agir, de forma turbinada, através daquilo que eu evocar. Verbalizando de forma imperativa, estarei assumindo minha posição no Reino, a de filho de Deus e co-herdeiro de Cristo. Kenneth Erwin Hagin (McKinney, 20 de agosto de 1917 — Tulsa, 19 de setembro de 2003), considerado o pai do Movimento Palavra de Fé, conseguiu traduzir o pensamento de William Kenyon através de inúmeras obras publicadas e isso tem atingido ao longo de décadas centenas de países e tem chegado ao Brasil desde a década de 1980 revolucionando a maneira de agir e de pensar de milhares de piedosos cristãos, como a pastora Valnice Milhomes (Ministério Palavra da Fé/Igreja Nacional) e tantos outros.

O rescaldo desse verdadeiro incêndio teológico produziu o cenário perfeito para a instauração do Neopentecostalismo no Brasil. Primeiro, a meu ver, porque a mensagem é sedutora. Fala de bem-estar, de prosperidade, riquezas, libertação e curas. Quem não conhece a Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R. Soares, a IURD-Igreja Universal do Reino de Deus do Bispo Edir Macedo, a mais recente, a Igreja Mundial do Poder de Deus do Apóstolo Valdomiro Santiago. Quando me refiro a essas denominações logo me vêm à mente as megas concentrações comuns a elas, que conseguem reunir facilmente centenas de milhares de pessoas, numa verdadeira demonstração de poder de mobilização.

Segundo, porque salvo exceções, a chamada que se faz é extensiva a todos os adeptos das demais crenças e linhas filosóficas, havendo espaço até para "ateus". Esse sincretismo religioso descomprometido tem se ligado apenas pelo que GUARESCHI identificou em seu estudo sociológico intitulado "Sem Dinheiro não Há Salvação". Dessa premissa tem originado os verdadeiro impérios neopentecostais em plena pós-modernidade, como quem diz, é Terceiro Milênio mais as demandas espirituais não conhecem limites nem espaços de tempo e o homem de hoje sempre terá referencia no de ontem.

Mas, chegando ao clímax da questão, pego-me folheando a revista da CPAD, 1º Trimestre/2012, discorrendo sobre o movimento da teologia da prosperidade. Muito bem. Vamos debater nas nossas escolas bíblicas sobre esse assunto. Contudo, não podemos nos esquecer que somos também teólogos da prosperidades. Uns defendem com unhas e dentes sem o saber. Esses são os obreiros despreparados teologicamente que abarrotam os púlpitos no domingo à noite. Outros, em menor número, são teólogos da prosperidade sim e sabem que são.

A maioria de nossos pregadores das Assembleias de Deus tem como ponto culminante de suas pregações o movimento de curas, distribuições de bençãos incluindo chaves de carro virtuais, mas é preciso a pessoa estender a mão em sinal de recebimento. Eles fazem verdadeiros shows que para ser completos precisavam incluir a pirotecnia. Mas a mensagem da cruz, a palavra de arrependimento e salvação pouco se vê. As mensagens são predominantemente de autoajuda. Expressões que são verdadeiros mantras noutras religiões ouvem-se em nossos cultos.

Nunca dantes de ouviu ou viu algo dessa natureza nas Assembleias de Deus, mas hoje tornou-se comum: campanha da libertação; campanha das sete semanas etc etc. Isso é teologia da prosperidade puríssima, mas veraz que aquela que criticamos em nossa lição. Pergunto: você não é teólogo da prosperidade? Coisas do tipo: vire-se para o seu irmão e diga... Não nasceu na Assembleia de Deus, é coisa importada.

O que nasceu na Assembleia de Deus foi a pregação genuína da palavra de Deus ("Eis que eu sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que pregam a sua própria palavra e afirmam: Ele disse", Jeremias 23.31/"Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo", 1 Coríntios 1.17/"prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina", 2 Timóteo 4.2/"Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus", 1 Coríntios 1.18).

A proeminência é a pregação da palavra de Deus. A mensagem deve ser integralmente salvacionista ("aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? — diz o SENHOR", Jeremias 23.28). Todas as demais coisas ou fenômenos são secundários. Primeiro Jesus ordenou: "Ide e pregai". O que vier após isto pode ser uma benção indescritível, mas é secundário, nunca primário! ("E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura; Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado; E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. ", Marcos 16.15-18).

Jesus não autorizou nenhum especialista em curas, nem incitadores do batismo com Espírito Santo, nem quaisquer outros tipos de sinais que vemos proliferar em nossas igrejas sob o rótulo de poder de Deus, desprovidos da mensagem salvadora. Se isso acontece com frequência e temos contribuído solenimente para que tal movimento cresça entre nós, é porque somos ou temos sido teólogos da prosperidade tanto quanto eles, os originais.


sábado, 16 de janeiro de 2010

A CARTA PERDIDA DE PAULO

Cerca de seis meses a um ano após a primeira epístola aos coríntios seguiu esta segunda, ocasionada pela mudança de condições na Igreja de Corinto. Como transparece de um exame atento dos textos das duas epístolas, os acontecimentos ter-se-iam desenrolado, com toda a probabilidade, da seguinte maneira:
Tento-se apresentado em Corinto inovadores judaizantes, contrários ao Apóstolo, lançam a agitação no meio dessa da Igreja, e Paulo vai a Corinto, numa breve visita a fim de restabelecer a paz (12, 14;13.1-2); essa visita deixa-lhe a alma amargurada por uma ofensa que um cristão faz à sua própria pessoa (2,5;7,12).
Voltando para Éfeso, ele escreve aos coríntios (2,3-4.9;7,8.12) uma carta enérgica e severa, que se perdeu (não é a 1 Coríntios, que é mais amena).
Entrementes, envia Tito com a missão de restabelecer a paz na Igreja de Corinto e conseguir um relatório fiel do seu estado e dos sentimentos dos cristãos para com ele. Sobrevindo inesperadamente o violento tumulto dos ourives de Éfeso contra ele (At 19, 23-40), Paulo parte e antes do tempo que ele mesmo havia estabelecido dirige-se para Trôade, onde marcara encontro com Tito. Não o tendo encontrado aí, passa para a Macedônia, onde, finalmente, encontra Tito, que lhe transmite as mais consoladoras notícias. Assim consolado, o Apóstolo reenvia Tito a Corinto com a finalidade de organizar a coleta em favor dos pobres de Jerusalém. Entrementes escreve, talvez de Filipos, no fim de sua terceira viagem missionária, no ano de 57, a primeira e a segunda parte da segunda epístola, que possuímos.

Não obstante toda essa exposição HARRIS (2005:50) afirma:

"2 Corintios fue escrita c. 56-57 d.C., sin duda por Pablo, tal vez en Macedonia, o parte en Efeso. Anteriormente la mayoría de los especialistas cuestionaron la unidad del documento y sostuvieron que 2 Corintios era una colección de cartas paulinas. Sin embargo, nunca hubo consenso en cuanto al número de cartas, su cronología precisa y su relación mutua. La investigación de Johann Salomo Semler (1776) sólo fue la primera de muchas teorías sobre el número y el orden de las cartas.
En la última década fue reconsiderada la unidad de la carta. Nuevos estudios de las técnicas de la retórica antigua señalan que cambios abruptos de tono emocional no necesariamente indican costuras (uniones) de distintos documentos. Por lo tanto, especialmente para una primera aproximación a 2 Corintios, es preferible aceptar la tradición de la unidad de la carta. A la vez, reconoceríamos en la carta ciertas divisiones tan abruptas que indicarían uniones de cartas de Pablo originalmente distintas o, tal vez, reflejarían etapas en el proceso de redacción" (Murray Harris 2005:50-1).

O que nos leva a concluir que, de fato, existem pormenores importantes nas Sagradas Escrituras, que se perderam no tempo, informações hoje, a nós, indispensáveis, mas que na época desprezíveis, poderia sanar muitas indagações no campo teológico.